| ONICOFAGIA:
O Singular Hábito de Roer as Unhas.
TANAKA,
Orlando. CD.,MO.
A
onicofagia, onychophagria, onychophagy, ou hábito de roer
as unhas é um dos hábitos mais comuns que se observa
tanto em crianças como em adultos jovens.
A
necessidade de roer e até comer as unhas está ligada
a um estado psico-emocional de ansiedade. Quando uma criança
rói as unhas, ela está manifestando um distúrbio
evolutivo relacionado com a fase oral do desenvolvimento psicológico.
Neste processo, as crianças atravessam fases distintas, porém,
crianças com desenvolvimento normal, esta evolução
não é normalmente acompanhada por qualquer problema
mais sério. Na maioria das vezes, não ocorre antes
dos três ou 4 anos de idade. A incidência aumenta entre
os 4 a 6 anos de idade e permanece estável entre os 7 a 10
anos e aumenta, consideravelmente, durante a adolescência.
Talvez porque neste período, quase que por uma determinação
biológica, é uma fase de crise. Experimenta-se um
maremoto emocional que persegue os indivíduos que se encontram
com um pé na estrada da infância e outro na idade adulta.
Para as maioria dos adolescentes o salto é difícil
e até traumático.
Daí,
advindo, alguns hábitos. E, roer unhas é um deles,
além de ser um reflexo de ansiedade e portanto agravado nas
ocasiões de tensão, o hábito de roer unhas
é considerado como reflexo de desajustes emocionais, embora
não seja considerada um importante sintoma psiquiátrico.
A incidência diminui após os 16 anos de idade. Portanto,
considerado normal entre as idades de 4 a 18 anos, devido a sua
alta prevalência nesta faixa etária.
A
onicofagia segue uma sequência de quatro posturas distintas,
quais sejam: a) posicionar a mão próximo à
boca e permanecer cerca de alguns segundos a meio minuto; b) promover
pancadinhas rápidas com os dedos sobre os dentes anteriores;
c) sequência rápida e espasmódica de mordida
nas unhas com os dedos firmemente pressionados contra as superfícies
incisais dos dentes anteriores; d) remoção do dedo
da cavidade oral, quando o dedo é inspecionado visualmente
ou apalpado. Durante toda a sequência, a expressão
facial é séria. Se sente-se observado, repentinamente,
interrompe o ato de onicofagia. E, isto pode ser um sintoma de complexo
de culpa. Porém, os onicofágos inveterados têm
dificuldade em interromper o ato, mesmo que observado e até
ridicularizado.
A
causa básica da onicofagia é difícil de ser
determinada. Embora pessoas que roem unhas apresentem mais ansiedade
que os não roedores, nenhuma diferença significativa
em relacionar a onicofagia à ansiedade. Outros citam a tendência
familiar devido, provavelmente, ao ato de imitação.
De
maneira geral, a onicofagia não é um hábito
preocupante e, se não estimulado, tende a desaparecer espontaneamente.
Por outro lado, se estiver associado a outros problemas, o quadro
é mais complexo e requer ajuda especializada. Nesse sentido,
se ao roer as unhas a criança as engole, complicações
estomacais poderão ser ocasionadas e existe ainda a importância
higiênica, pois dificilmente as unhas estão limpas
e muitas doenças poderão ser desta maneira, transmitidas.
Sugere-se que a onicofagia é a transferência do hábito
de sucção do polegar baseado no fato que este hábito
tende a desaparecer durante o terceiro ano de vida, enquanto a onicofagia
começa nesta época.
A
maioria das pessoas roem suas unhas nos momentos de tensão.
Crianças roem suas unhas nos momentos de angustia, quando
estão temerosos por não ter estudado devidamente a
lição escolar, quando lêem ou ouvem história
de terror ou horror ou quando é forçado a ir para
a cama à noite.
A
onicofagia é, geralmente, substituída após
a adolescência por hábito de mordiscar o lábio,
morder lápis e outros objetos, coçar o nariz, enrolar
o cabelo. Nos adultos o hábito de fumar e/ou mascar chicletes
é o substituto mais comum, pois são maneiras ou métodos
sociais aceitáveis e de gratificação oral.
Na realidade podem ser considerados boas maneiras de transferência
do hábito de onicofagia.
As
crianças que apresentam o hábito de roer unhas podem
desenvolver maloclusão nos dentes anteriores. A reabsorção
radicular apical é um dos mais comuns e indesejáveis
efeitos colaterais do tratamento ortodôntico, particularmente,
nos incisivos centrais superiores. A onicofagia crônica pode
acelerar a reabsorção, mesmo em ausência do
tratamento ortodôntico. Exames clínicos nos onicófagos
podem apresentar apinhamentos, giroversões e atrições
nas bordas incisais dos incisivos inferiores, labioversão
de incisivos superiores. Tais maloclusões são devidos
a pressões introduzidas durante o ato da onicofagia.
Acredita-se,
no entanto, que não existe maloclusão específica
associada à onicofagia e, as referências são
muito vagas e sem evidências clínicas ou estatísticas
que provem que a onicofagia causa maloclusão, e não
deve ser considerada causa primária de desajustes oclusais.
Nestas situações, a solução quanto ao
hábito de roer a unhas parece ser mais difícil
do que a correção da eventual maloclusão
ocasionada. O vigoroso e contínuo ato de roer as unhas causou
destruição alveolar na região dos dentes envolvidos,
porém, a falta de evidências científicas na
literatura, assim como as observações pessoais indicam
que a onicofagia rotineira não tem efeitos danosos sobre
a dentição.
O
importante é não reprimir o hábito e não
castigar a criança, pois se a mesma perceber que, por meio
do hábito, consegue chamar a atenção dos pais
cada vez que coloca a mão na boca, certamente o fará
mais e mais vezes, pois passa a ser o centro das atenções.
A repressão, nestes casos, funciona como um pedido
para que a criança fixar o hábito e não
eliminá-lo. Da mesma maneira, a contradição,
bem como a insistência sobre um mesmo assunto, como no caso
de pais que fumam ou bebem e insistem para o filho abandonar um
determinado hábito, dizendo que isso ou aquilo faz mal à
saúde, devem ser evitados.
Na
onicofagia como em qualquer hábito bucal, os seguintes critérios
devem ser usados: idade do onicófago, intensidade, freqüência
da ação, situação em que ocorre e situação
emocional.
Para
a remoção de qualquer hábito, a motivação
deve partir do paciente. O mesmo deve estar conscientizado sobre
a necessidade de abandonar o hábito e o papel do profissional
deve ser incentivado, além de propor sugestões que
auxiliem no processo de superação do vício.
A supressão severa e/ou brusca leva a desenvolver alterações
na personalidade.
Alguns
abandonam espontaneamente a onicofagia por temor à inflamações
e infecções, outros por imitação de
amigos, irmãs que têm cuidados em manter as unhas bem
cuidadas .
Nos
casos suaves de onicofagia, geralmente, não é indicado
qualquer tratamento. Nos casos severos, o tratamento a ser instituído
deve ser a remoção dos fatores emocionais que levam
ao hábito (situação de excitamento, super estimulação,
infelicidade e ócio ou falta do que fazer), uma vez que na
maioria dos casos, a única medida necessária é
um pouco mais de atenção, afeto e compreensão.
Atividades aeróbicas externas que demandam grande esforço
físico (skate, correr, jogar bola),são recomendados,
pois funcionam como liberadores de tensão.
A
punição verbal ou física, pode conduzir os
onicófagos a conflitos sociais e a sentimento de culpa. Em
última instância, a educação dos pais
pode ser o melhor tratamento para estas casos.
Quando
o hábito cessa precocemente, a eventual maloclusão
causada, geralmente, é revertida sem a necessidade de qualquer
tratamento. No entanto a ausência do hábito não
é garantia de correção da maloclusão.
Geralmente, a correção é frequentemente, um
fator de auxílio na redução do hábito.
Artifícios
como a adição de pimenta ou outra substância
que modifica o paladar no momento de roer unhas, na ilusão
de solucionar o hábito, são procedimentos arcaicos,
que não funcionam e, geralmente, provocam mais tensão
naqueles que, na verdade, devem ser acalmados. Portanto, são
métodos indesejáveis e até prejudiciais. Porém,
o uso de óleo de oliva sobre as unhas tornando-as mole e
macias pode inibir as crianças às tentações
de roê-las e picotá-las com os dentes.
Manter
sempre as unhas bem cortadas é mais uma atitude útil,
evitando que pontas mal aparadas sirvam como tentação
para o roedor. Portanto, recursos como lixar, polir e pintar as
unhas das meninas em uma manicure, não pessoas da família,
cara e sofisticada pode ter efeito positivo e surpreendente.
Por outro lado, os meninos podem cobrir os dedos com uma bandagem
e, seu amigos entender que tal curativo é para
tratamento de injúrias e não para a onicofagia.
Por
outro lado, uma alternativa eficiente para ajudar o paciente a superar
o problema pode ser a de pedir para utilizar o mordedor de
borracha toda vez que sentir vontade de roer unha ou quando o mesmo
identificar momentos em que se encontra mais ansiosos (assistindo
a filmes, TV, jogo de futebol, basquete, tensão pré-exames,
etc), evitando, desta forma, a liberação das
tensões por meio do vício. Mascar chiclete sem açúcar,
desde que não compulsivamente, também, pode ser uma
forma de manter a boca ocupada, tonando difícil, ou até
impossível, a realização do hábito.
À
medida que o paciente vai se habituando a substituir a unha pelo
mordedor ou o chiclete, o profissional deve solicitar que o paciente
deixe a unha de um dedo crescer. As unhas dos demais dedos ficam
liberadas, caso persista a vontade de roê-las. Depois disto,
o número de unhas intactas deve ser aumentado gradualmente.
Ocupar
as mão do indivíduo com outra atividade, como por
exemplo com trabalhos manuais ou instrumentos, é também
uma boa indicação e, na maioria das vezes, é
bastante eficaz, pois assim o mesmo dificilmente estará com
as mãos na boca.
Outro
importante aliado na luta contra o hábito é o convívio
familiar, tão massacrado pelo trabalho e a agitação
do mundo moderno. Nos momentos de maior intimidade familiar, no
aconchego do lar ou mesmo fora dele, as ansiedades e tensões
podem ser mais facilmente liberadas e portanto tais situações
devem ser cada vez mais preservadas. Do ponto de vista geral
o melhor método de manejar com os onicófagos é
pela educação da criança, no sentido de estimular
o bom hábito e a conscientização, para se assegurar
resultados eficazes, eficientes e efetivos, uma vez que não
se conhece outro meio mais eficiente, inteligente e satisfatório
de se remover tal hábito.
Ainda
hoje é considerado um dos problemas insolúveis na
área da medicina e da odontologia. É difícil
analisar e diferenciar o que é normal ou anormal em onicofagia,
e a normalidade ou anormalidade do onicófago. Porém,
não quer dizer que o normal não necessariamente implica
que é ideal ou desejável. Todas as crianças
estão sujeitas ao bombardeio de isto pode ou isto não
pode e vive num meio de frequentes frustrações que,
inevitavelmente, criam ou geram tensões. Quando estas tensões
e frustrações são brandas, a criança
absorve e assimila-as, adaptando-se a estes fatores ambientais,
resultando em uma situação de normalidade.
Do
exposto pode-se concluir que, na presença de onicofagia,
o que importa, fundamentalmente, é descobrir e combater o
que está gerando a ansiedade e a tensão, pois,
desta maneira, estar-se-á atacando as verdadeiras causas
do problema, em vez de remediar indefinidamente suas meras
conseqüências.
Se
você conhece alguma "técnica científica
", simpatias ou truques para motivar alguém a parar
de roer as unhas, envie-me um e-mail.
Grande
abraço. Muito obrigado.

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