ERUPÇÃO
ECTÓPICA DO PRIMEIRO MOLAR SUPERIOR PERMANENTE
ECTOPIC
ERUPTION OF THE MAXILLARY FIRST PERMANENT MOLAR
TANAKA,
Orlando. CD.,MO.
Unitermos
-
Erupção ectópica, primeiro molar permanente,
etiologia, tratamento.
Key
words
-
Ectopic eruption, first permanent molar, etiology, treatment.
SINOPSE
A
irrupção ectópica do primeiro molar superior
permanente é um distúrbio local de erupção
dentária. O molar ao entrar em contato com a curvatura
distal da raiz do segundo molar superior decíduo, causa uma
reabsorção atípica nesta região. Dois
tipos de erupção ectópica podem ser distinguidos:
o reversível, quando o primeiro molar permanente se libera
e erupciona em posição normal na arcada dentária,
e o irreversível, quando o primeiro molar se mantém
em contato com a raiz distal do segundo molar decíduo, podendo
causar a perda prematura deste dente. A irrupção ectópica
do primeiro molar superior permanente varia entre 2% e 5,99%, e
a conduta clínica, comumente preconizada, resume-se na utilização
de fio de latão para a liberação do primeiro
molar impactado.
ABSTRACT
Ectopic
eruption of the maxillary first permanent molar is a local eruption
disturbance. The molar then comes into apical contact to the proeminence
of the distal surface of the second deciduous molar and causes atypical
resorption in this area. Two types of ectopic eruption (reversible
and irreversible) can be distinguished. In the first type, the molar
unlocks itself and erupts into the normal position in
the dental arch. In the irreversible type, the maxillary first permanent
molar remains in contact with the distal part of the second deciduous
molar and can cause premature loss of this tooth. The prevalence
studies of ectopic eruption of maxillary first permanent molar varies
between 2 percent and 5.99 percent and the dentist may unlock
impacted molar by using brass wire wrapped tightly around
contact.
INTRODUÇÃO
O
termo irrupção ectópica é utilizado
amplamente para designar aqueles casos em que os dentes permanentes
apresentam algum desvio em seu padrão normal de erupção,
produzindo uma reabsorção anormal nos dentes decíduos
adjacentes. O primeiro molar superior permanente, freqüentemente
é o mais afetado (BJERKLIN e KUROL, 1983), sendo de fácil
interceptação quando diagnosticado prematuramente.
A
irrupção ectópica do primeiro molar superior
permanente é uma alteração local de erupção
(BJERKLIN e KUROL, 1983), ou uma deficiência no perímetro
da arcada dentária (GRABER, 1972), que resulta na reabsorção
atípica e prematura da superfície distal do segundo
molar decíduo.
A
dúvida e a preocupação quanto à conduta
clínica a ser adotada no dia a dia do cirurgião dentista,
em relação à Ortodontia interceptativa, são
aspectos que serão abordados neste estudo.
FUNDAMENTOS
TEÓRICOS
Nos
últimos 40 anos muito se tem discutido sobre a irrupção
ectópica do primeiro molar permanente. A impacção
dos primeiros molares superiores permanentes é considerada
uma alteração local na qual o primeiro molar permanente
promove uma reabsorção atípica, no segundo
molar decíduo podendo comprometer o correto alinhamento e
nivelamento dos seus sucessores, além de comprometer o perímetro
da arcada dentária.
A
irrupção ectópica pode ser classificada em
irreversível e reversível. O tipo irreversível
é aquele em que o primeiro molar permanente encontra-se em
posição atípica, e o tipo reversível
é o que causa reabsorção na raiz distal
do segundo molar decíduo, erupcionando em oclusão
(BJERKLIN e KUROL, 1983; YOUNG, 1957). A palavra "ectopia"
e seu adjetivo "ectópico" são termos muitas
vezes mal interpretados em Odontologia. Ectopia ou ser ectópico
significa fora de posição normal ou mal posicionado.
Uma conduta clínica errônea è às vezes
sugerida simplesmente porque o uso incorreto da palavra conduz a
idéias incorretas em relação ao tratamento.
Apenas aqueles dentes em que a irrupção ectópica
é mais freqüente são considerados problemas clínicos
(PROFFIT e FIELDS, 1995).
Muitas
causas relacionadas à irrupção ectópica
têm sido sugeridas e não há fator etiológico
específico que seja comum para todas as crianças.
A etiologia da irrupção ectópica do primeiro
molar superior permanente depende de uma
combinação de fatores, tais como: a) tamanho dos primeiros
molares permanentes superiores maiores que o normal; b) maxila
reduzida; c) posição mais posterior da maxila em relação
à base de crânio; d) ângulo anormal de erupção;
e) atraso na calcificação de alguns primeiros molares
permanentes afetados (PULVER, 1968).
Tais
fatores combinados podem levar o primeiro molar permanente a pressionar
levemente o segundo molar decíduo, que passa a exibir ligeira
extrusão e "trauma oclusal", que são fatores
que aceleram o processo de rizólize, conduzindo à
esfoliação precoce do segundo molar decíduo
e à erupção mesializada do primeiro molar permanente
(LINO, 1990).
A
prevalência de impacção observada pela
maioria dos autores em um ou ambos os molares, demonstrou que nos
primeiros molares permanentes variou entre os 2% (BJERKLIN e KUROL,
1983); 3% (YOUNG, 1957); ou 3.1%, com uma maior predominância
de impacção nos meninos (CÁRDENAS, 1975; PULVER,
1968); 3.25% (CANUT e RAGA, 1983) ; até 5,99% (KIMEL et al).
Observou-se uma alta predominância em crianças com
fenda labial e palatal, sem variação quanto
ao sexo ou raça (KENNEDY e TURLEY, 1987).
Notou-se
ainda que os dentes em irrupção ectópica são
maiores que o normal. A irrupção do primeiro molar
em um ângulo anormal indica que o germe dentário está
em uma posição anormal e o comprimento maxilar diminuído;
indica, ainda, crescimento da tuberosidade ou que a morfologia da
face distal do segundo molar decíduo e a da face mesial do
primeiro molar permanente se encaixam perfeitamente (PROFFIT e FIELDS,
1995).
Pode-se
relacionar, ainda, um ângulo acentuado de erupção
e um diâmetro mésio-distal, maior nos casos que apresentaram
irrupção ectópica, com os daqueles que erupcionaram
normalmente, sem nenhum envolvimento esquelético BJERKLIN
e KUROL, 1983; KUROL e BJERKLIN, 1982).
CONDUTA
CLÍNICA
Para
se atingir os objetivos do tratamento ortodôntico e da biogênese
da dentição e da oclusão, isto é, da
estética, da função e da estabilidade dos dentes,
a manutenção de todos os dentes decíduos até
a sua natural esfoliação deve ser enfatizada.
A
correção espontânea dos primeiros molares permanentes
pode ocorrer em 66% dos casos (YOUNG, 1957). Nestes casos, mesmo
tendo apresentado uma reabsorção da raiz disto-vestibular,
a maioria dos decíduos permanecem até a sua esfoliação
fisiológica (KUROL e BJERKLIN, 1982), embora tais dentes
tenham mais propensão a se esfoliarem prematuramente (MOYERS,
1991). Portanto, o monitoramento clínico e radiográfico
deve ser realizado criteriosamente (HARRISON e MICHAL, 1984).
Nos
casos em que não ocorre a auto-correção, todos
os procedimentos preconizados são aqueles destinados a manterem
o perímetro da arcada dentária. Os primeiros passos
devem ser a colocação de um fio de latão
torcendo e "abraçando o ponto de contato. O corte
e a remoção do excesso do fio de latão, evitando
a irritação dos tecidos bucais e gengivais; a ativação
pela torção do fio de latão quinzenalmente
e, se necessário, aumentar o calibre deste fio até
se verificar a completa desimpacção do molar permanente.
Recomenda-se anestesiar a região se o primeiro molar estiver
posicionado subgengivalmente. Gradativamente, deve-se aumentar o
fio de latão até 0,032" ou utilizar o fio de
maneira dupla (MOYERS, 1991) e, ao observar-se uma leve verticalização
do molar permanente, sugere-se colocar um elástico de separação
para possibilitar a desimpacção final e a irrupção
em posição normal. O acompanhamento deve ser realizado
até a erupção do sucessor (KENNEDY e TURLEY,
1987).
Desgastar
a face distal dos segundos molares decíduos permite que o
primeiro molar permanente irrompa, apesar de inclinado e fora de
posição (MOYERS, 1991; PROFFIT e FIELDS, 1995). A
colocação de um fio de latão, separando o segundo
molar decíduo do primeiro molar permanente, e apertando ou
torcendo o fio em intervalos de poucos dias, forçará
o dente permanente para distal (PROFFIT e FIELDS, 1995; YOUNG, 1957).
Estes são procedimentos simples que todo cirurgião
dentista deve utilizar ou deve orientar o paciente e/ou responsável
para a sua execução.
CONCLUSÃO
A
tentativa para desimpactar o primeiro molar superior permanente
sempre é válida, porque a perda prematura do segundo
molar decíduo poderá contribuir para o desenvolvimento
prematuro de maloclusões nesta região. Por isso, recomenda-se
a utilização de exames radiográficos para o
seu diagnóstico e a utilização de fio de latão
para a correção do referido problema.
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
- BJERKLIN,
K.; KUROL, J. Ectopic eruption of the maxillary first permanent
molar. Etiologic factors. Am. J. Orthod., v. 84, n. 2, p. 147-155,
Aug. 1983.
- CANUT,
J. A.; RAGA, C. Morphologica analysis of cases with ectopic eruption
of the maxillary first permanent molar. Eur. J. Orthod., v. 5,
p. 249-353, 1983.
- CÁRDENAS,
G. Erupcion ectopica del molar permanent superior. Temas Odontol.,
v. 13, n. 120, p. 24-35, Out-Dez. 1975.
- GRABER,
T. M. Orthodontics: Principle and Practice. 2 ed. Philadelphia:
W.B.Saunders Co., 1972, p.377-389.
- HARRISON,
L. M., MICHAL, B. C. Treatment of ectopically erupting permanent
molars. Dent. Clin. North Am., v. 28, p. 57-67, 1984.
- KIMMEL,
N. A., GELLIN, M. E., BOHANNAN, H. M. et al. Ectopic eruption
of maxillary first permanent molars in different areas of the
United States. J. Dent. Child., v. 49, p. 294-299, 1982.
- KENNEDY,
D., TURLEY, P. K. The clinical management of ectopically erupting
first permanent molars. Am. J. Orthod. Dentofac. Orthop., v. 92,
n. 4, p. 336-345, Oct. 1987.
- KUROL,
J., BJERKLIN, K. Resorption of maxillary second primary molars
caused by ectopic erutption of the maxillary first permanent molar:
a longitudinal and histologic study. J. Dent. Child., v. 49,
p. 273-279, 1982.
- LINO,
A. P. Ortodontia Preventiva Básica. Artes Médicas,
São Paulo, 1990, p. 60-62.
- MOYERS,
R. E. Ortodontia, 4 ed. Guanabara Koogan, Rio de Janeiro, 1991,
p. 328-330.
- PROFFIT,
W. R., FIELDS, H. W. Ortodontia Contemporânea. 2 ed. Guanabara
Koogan, Rio de Janeiro, 1995, p. 190.
- PULVER,
F. The etiology and prevalence of ectopic eruption of the maxillary
first permanent molar. J. Dent. Child., v. 35, p. 138-146, 1968.
- SHAPIRA,
Y., JUFTINEC. M. M. The ectopically erupted mandibular lateral
incisors. Am. J. Orthod., v. 82, p. 426-429, 1982.
- YOUNG,
D. H. Ectopic eruption of the first permanent molars. J. Dent.
Child., v. 24, p. 153-162, 1957.
Publicado
no Jornal Brasileiro de Ortodontia e Ortopedia Maxilar. Ano 2, n.
11, p. 55-59, set./out. 1997.
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FIGURAS
- Figura
1: desenho esquemático ilustrando a direção
de irrupção (ectópica) do primeiro molar
superior permanente;
- Figura
2: imagem radiográfica ilustrando a reabsorção
da raiz distal do segundo molar superior decíduo;
- Figuras
3 e 6: caso clínico e respectiva imagem radiográfica
ilustrando a impacção do primeiro molar superior
direito;
- Figura
4: imediatamente após a desimpacção
do caso clínico anterior;
- Figuras
5 e 8: caso clínico e respectiva imagem radiográfica
um ano após. Geralmente há permanência do
dente decíduo, mesmo com a reabsorção parcial
da raiz distal;
- Figuras
9 e 12: dente 26 impactado na distal do 55. Imagem clínica
e radiográfica;
- Figuras
10 e 13: fio de latão inserido e a imagem radiográfica
do fio de latão entre o 2o molar superior esquerdo
decíduo e o 1o molar permanente;
- Figura
11: o 1o molar "quase" desimpactado.
- Figura
14: detalhe do fio de latão "envolvendo" o ponto
de contato. Vide imagem radiográfica deste detalhe na figura
13;
- Figura
15: elástico de separação para a desimpacção
final do 26;
- Figura
16: o mesmo caso clínico ao final da dentição
mista. O perímetro da arcada dentária foi preservado
possibilitando a irrupção do 15;
- Figura
17: Passo inicial para a inserção do fio de latão
com porta agulha Mathiew.
- Figura
18: a esfoliação prematura do 2o molar superior
esquerdo decíduo poderia implicar em uma irrupção
do 1o molar em relação de Classe II (Angle). Modelo
em gesso da situação clínica da figura 9;
- Figura
19: imagem radiográfica da situação clínica
da figura 16;
- Figura
20: modelo em gesso ilustrando a relação do 1o molar
superior com o respectivo antagonista. Ilustrativo das figuras
16 e 19. Pergunta-se. Será que se a desimpacção
não tivesse sido realizada, a chave de molar teria ocorrido?
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