CLASSIFICAÇÃO DE MALOCLUSÃO
ANGLE,
E.H. Classification of Malocclusion: In: The Dental Cosmos, p. 248-264.
MALOCLUSÃO:
(mal + oclusão), malposição dos dentes tal
que prejudica a mastigação eficiente por falta de
contato entre os dentes opostos e correspondentes. MICHAELIS Moderno
dicionário da língua portuguesa. WEISZFLOG, Walter,
editor: São Paulo: Melhoramentos, 1998, p.1304. (2267p.)
O
termo "irregularidades dos dentes", na forma como é
aplicado usualmente para expressar dentes que estão girados
ou dispostos de maneira irregular, não expressa de modo apropriado,
na opinião do autor, o significado total destas deformidades.
Parece que o termo maloclusão seria muito mais expressivo;
pois ao estudar-se o indivíduo não devemos perder
de vista a importância do conjunto dental como um todo, e
as importantes relações não apenas dos dois
arcadas um para com o outro, mas dos dentes individuais um para
com o outro. O formato das cúspides, raízes, e a própria
estrutura, são todos idealizados para tornar a oclusão
o grande objetivo, para que eles possam melhor servir o propósito
para o qual foram desenhados - a saber, o cortar e triturar os alimentos.
Em exame cuidadoso, será visto que não pode haver
"irregularidades dos dentes" caso eles estejam em perfeita
oclusão, mas que todos devem ser regulares e uniformes, cada
um deles contribuindo para o suporte dos outros, e todos em perfeita
harmonia. Não apenas isto, mas as mandíbulas, os músculos
da mastigação, os lábios, e mesmo as linhas
faciais, provavelmente, estarão na melhor harmonia com o
tipo facial peculiar do indivíduo.
Assim,
pareceria que o termo maloclusão de qualquer dente ou número
de dentes não somente expressaria a verdadeira condição,
mas naturalmente e constantemente sugeriria a capital importância
de oclusão no estudo e tratamento destas deformidades, ao
invés de torná-las secundárias ou mesmo deixá-las
passar totalmente desapercebidas, como tem sido o caso, com demasiada
freqüência, no passado. O autor tornou-se firmemente
convencido de que a oclusão é a própria base
da ciência, e que no tratamento de casos, a menos que a oclusão
seja estabelecida, os resultados terão grande chance de fracasso.
Assim, nas páginas seguintes, tornaremos a oclusão
a idéia central, e basearemos nela a classificação
de "irregularidades", bem como a nomenclatura; iremos
definir Ortodontia como sendo aquela ciência que tem por objeto
a correção da maloclusão dos dentes.
DIAGNÓSTICO
DE CASOS.
Em
cada caso de maloclusão dos dentes apresentados para o tratamento,
não se pode superestimar a importância de um diagnóstico
correto das verdadeiras condições e daquilo que é
requerido. A não ser assim, qualquer plano de tratamento
terá resultados muito incertos; na verdade, apto a produzir
fracasso, com todos os seus constrangimentos.
Por um contato com dentistas e estudantes, acredito que embora o
diagnóstico seja o assunto de maior importância, ele
é, aparentemente, o menos inteligentemente estudado e compreendido.
Para
começar, desejo enfatizar bem a necessidade de uma completa
separação entre diagnóstico e tratamento. Esta
declaração parece necessária, pois tenho freqüentemente
observado um conflito mental ao se tentar considerar os dois juntos
logo no início, a questão de tratamento por meio de
aparelhos ou de extração aparentemente predominando
num primeiro exame, antes que os fatos tenham sido propriamente
considerados. Na verdade, dominando-se logo no início o diagnóstico
de qualquer caso, a linha de tratamento e os aparelhos necessários
para promover os vários movimentos dentais requeridos ficam,
em quase todos os casos, claramente indicados, mesmo quanto aos
aparelhos necessários para conter os dentes quando colocados
corretamente.
A
fim de diagnosticar corretamente todos os casos de maloclusão,
é necessário estar familiarizado com: 1º, a oclusão
normal ou ideal dos dentes; 2º, as linhas faciais normais.
Estas devem estar tão fixas na mente que formem a base a
partir da qual raciocinar e observar de modo inteligente todos os
desvios do normal; e deve concluir-se que sem idéias claras,
fixas e definidas quanto ao que é normal, os limites ou linhas
divisória para o que é anormal também irão
ser vagos e indefinidos, tornando-se o tratamento um mero empirismo.
Um
conhecimento da oclusão dos dentes sendo de primeira importância,
ele deveria incluir um conhecimento não apenas das relações
normais das superfícies oclusais de dentes tanto permanentes
como decíduos, mas também de todas as suas formas
e estruturas. O crescimento e o desenvolvimento normal da maxila
e mandíbula e dos músculos, junto com o desenvolvimento
dos dentes e os períodos normais para se tomar suas impressões
nas arcadas, deveriam receber cuidadosa atenção. Nossa
compreensão do assunto seria também aumentada por
um estudo comparativo da oclusão dos dentes dos animais inferiores.
OCLUSÃO
NORMAL.
Este
conhecimento é a base da ciência e a lição
mais importante para o estudante de Ortodontia. Os limites deste
trabalho, contudo, só irão permitir considerar-se
o que é mais importante em suas muitas fases.
Referindo-se
às Figura 9, que representam os dentes
na oclusão ideal, vê-se que cada arcada dental descreve
uma curva graciosa, e que os dentes nestas arcadas estão
dispostos de tal modo que ficam na maior harmonia com seus companheiros
na mesma arcada, bem como com os da arcada oposto.
A
arcada inferior é menor do que a superior, de modo que em
oclusão as superfícies labial e bucal dos dentes da
maxila projetam-se levemente sobre as da inferior. A chave para
a oclusão é a posição relativa dos primeiros
molares. Em oclusão normal, a cúspide mésio-bucal
do primeiro molar superior é recebida no sulco entre as cúspides
mesial e distal do inferior, a leve projeção dos dentes
superiores trazendo as cúspides bucais dos pré-molares
e molares da mandíbula para dentro dos sulcos mesio-distais
de seus antagonistas, ao passo que os incisivos centrais superiores,
laterais e caninos sobrepõem-se aos inferiores um terço
do comprimento de suas coroas. Como o central superior é
mais largo do que o inferior, ele necessariamente estende-se além
dele distalmente, sobrepondo, cerca de metade do lateral inferior;
o lateral superior oclui com a porção remanescente
deste dente, e com a vertente mesial do canino inferior, a vertente
mesial docanino superior ocluindo a vertente distal da inferior;
a vertente distal do canino superior oclui a vertente mesial da
cúspide bucal do primeir pré-molar inferior; a vertente
mesial da cúspide bucal da primeira bicúspide superior
oclui a vertente distal da cúspide bucal do primeiro pré-molar
inferior. Esta ordem (sequência) continua pelas bicúspides.
As vertentes mesial e distal da cúspide mésio-bucal
do primeiro molar superior são intercuspidadas entre as cúspides
bucais mesial e distal do primeiro molar inferior, e as vertentes
da cúspide disto-bucal entre a cúspide disto-bucal
do primeiro inferior e a cúspide mésio-bucal do segundo
inferior. Esta mesma ordem continua com o segundo e os terceiros
molares, a vertente distal da cúspide disto-bucal do terceiro
molar superior não tendo oclusão. Será assim
visto que cada um dos dentes em ambos os maxilares possuem 2 antagonistas
ou suportes na arcada oposta, exceto os centrais inferiores e os
terceiros molares superiores.
Como
os planos inclinados igualam e se harmonizam na maior perfeição
nas relações buco-oclusais dos dentes, assim há
uma disposição similar nas relações
línguo-oclusais, exceto que os pré-molares inferiores
e molares projetam-se além do superior, para dentro do espaço
bucal; de modo similar, no sentido transverso, as cúspides
bucais dos molares inferiores e pré-molares passam entre
as cúspides bucal e lingual dos molares superiores e pré-molares,
e as cúspides linguais dos molares superiores e pré-molares
(passam) entre as cúspides bucal e lingual dos molares inferiores
e pré-molares. As superfícies de trituração
ficam assim bastante aumentadas em tamanho e eficiência sobre
o que seria possível se elas consistissem de uma fileira
única de cúspides ou de superfícies planas.
Porém o aumento da superfície de mastigação
não é a única razão, e talvez não
seja a mais importante, para esta complexa interdigitação
das cúspides e dos planos inclinados dos dentes. Uma função
muito importante das cúspides e planos em interdigitação
é a parte que desempenham no suporte mútuo dos dentes.
Os tamanhos, formas, superfícies de interdigitação,
e as posições dos dentes nas arcadassão tais
que dão umas às outras, tanto isoladamente como coletivamente,
o maior suporte possível em todas as direções.
Uma outra parte importante desempenhada pelos planos inclinados
das cúspides está em influenciar as direções
dos dentes enquanto irrompem e ocupam suas posições
nas arcadas. Contudo, se isso não ocorre, eles podem tornar-se
fatores nocivos na produção de maloclusão.
Quando os dentes começam a emergir das gengivas, observa-se
freqüentemente deslocamento considerável, mas isto não
necessita causar intranqüilidade, desde que, conforme a irrupção
progride, suas cúspides passem para a influência normal
dos planos inclinados das cúspides opostas; porém
uma vez passados além da influência normal e entrando
no anormal eles irão não apenas sofrer deflexão
de suas relações apropriadas na arcada, mas irão
ajudar no deslocamento dos dentes opostos, e também, com
freqüência, daqueles que virão em seguida na erupção.
Assim, a linha divisória entre harmonia e desarmonia de oclusão
é, com freqüência, muito tênue. Daí
a importância de cuidadosa atenção durante o
importante período que cobre a irrupção dos
dentes permanentes.
AS
FORÇAS QUE CONTROLAM A OCLUSÃO.
A
harmonia entre as arcadas superior e inferior e seus dentes é
também fortemente promovida pela sua ação e
reação normal um sobre o outro. Como os dentes da
arcada inferior irrompem antes dos superiores, e são conseqüentemente
até um certo ponto fixos em suas posições antes
que os seus antagonistas apareçam, segue-se que o arco inferior
é a forma na qual o superior é moldado. Em outras
palavras, o arco inferior exerce uma influência controladora
sobre a forma superior, e sobre as posições dos dentes
que estarão nele. Naturalmente, o superior reage sobre o
inferior, mas é inquestionável, na opinião
do autor, que o fator mais importante é o arco inferior,
e não o superior, como tem sido ensinado até o presente.
Será
assim logo visto quão grandemente uma arcada contribui para
o outro manter a forma e o tamanho, de modo que pressão,
como por exemplo, sobre as superfícies labiais dos incisivos
superiores, seria resistida não apenas por todos os dentes
superiores agindo como pedra angular em um arco de alvenaria, mas
também pelos dentes da arcada inferior agindo através
da oclusão.
Inversamente,
então, uma arcada não pode ser alterada em sua forma
sem modificar a do outro, nem tampouco pode ser alterado no tamanho
sem logo exercer um efeito marcante sobre o outro. Este importante
fato é do maior interesse para nós como estudantes
de Ortodontia - a saber, que em um caso de oclusão perfeita,
como no caso ilustrativo apresentado, cada dente está não
apenas em perfeita harmonia com cada outro, mas ajuda a manter este
outro dente em suas relações harmoniosas; pois
as cúspides se intercuspidam, e cada plano inclinado serve
para não apenas manter o dente em posição,
para impedir que ele deslize para fora, mas também para encunhá-lo
em posição caso (esteja) levemente mal-posicionado;
isto é, caso não (esteja) além da influência
normal do plano inclinado.
Um
estudo cuidadoso das relações dos planos inclinados
e das cristas marginal, triangular, transversa, e oblíqua,
em conexão com os movimentos da mandíbula, não
pode deixar de impressionar pessoas ponderadas com a maravilhosa
eficiência dos dentes humanos para cortar e triturar o alimento
requerido pelo homem, e com o maravilhoso arranjo para auto-limpeza
e conseqüente auto-preservação que eles apresentam.
As
relações harmoniosas dos planos oclusais e das arcadas
dentárias são ainda mais auxiliadas por uma outra
força - a saber, pressão muscular, a língua
agindo sobre o interior e os lábios e bochechas sobre o lado
de fora das arcadas. Lábios e bochechas servem para impedir
que as arcadas se distendam, como as cintas sobre as arruelas de
um barril. A língua impede demasiada usurpação
do espaço oral. Eu tenho certeza que esta pressão
muscular é um fator muito mais importante em relação
ao estudo e correção de maloclusão do que é
geralmente reconhecido. Ela contribui não apenas para manter
os dentes em suas posições normais e para a harmonia
no tamanho das arcadas normais, mas também é igualmente
poderosa para manter a harmonia nos tamanhos ou relações
das arcadas e maloclusão dos dentes, uma vez estabelecidas
tais relações.
Assim,
será observado que a oclusão dos dentes é mantida,
1º pelos planos inclinados oclusais das cúspides; 2º,
pelo suporte dado pela interdependência das arcadas devido
a sua harmonia em tamanhos quando em relações normais;
3º, pela influência dos músculos labialmente,
bucalmente, e lingualmente.
LINHA
DE OCLUSÃO.
Quando
os dentes estão em oclusão normal, a linha de maior
contato oclusal passará sobre os planos inclinados mesial
e distal das cúspides bucais dos molares e pré-molares,
e os bordas incisais dos incisivos da arcada inferior, e ao longo
do sulco entre as cúspides bucal e lingual dos molares superiores
e pré-molares, e daí para diante, cruzando a crista
lingual das cúspides e as cristas marginais dos incisivos
em um ponto cerca de 1/3 do comprimento de suas coroas a partir
de seus bordos de corte. A esta daremos o nome de linha de oclusão.
Esta
linha descreve mais ou menos uma curva parabólica, e varia
um pouco dentro dos limites do normal, de acordo com a raça,
tipo, temperamento, etc... do indivíduo, e deve ser determinada
em qualquer caso de maloclusão pelo julgamento do operador
depois de um cuidadoso estudo das características, linhas
faciais, formas dos dentes no que se relaciona com o temperamento,
etc...
No
diagnóstico de casos, é importante que tenhamos esta
linha definida como uma base mais exata a partir da qual desenvolvermos
nosso raciocínio, e não o delineamento mais grosseiro,
como indicado pelas extremidades incisal e oclusal dos dentes.
NOMENCLATURA
DE MALOCLUSÃO.
Podemos
dizer que todos os dentes encontrados fora de harmonia com a linha
de oclusão ocupam posições de maloclusão,
e cada dente pode ocupar qualquer uma dentre 7 mal-posicionamentos
ou seus vários desvios e combinações.
Uma
nomenclatura definida é tão necessária em Ortodontia
como em anatomia. Os delineamentos indefinidos e as meras frases
usadas são totalmente inadequadas. Os termos para descrever
as várias maloclusões deveriam ser tão exatos
que transmitissem em seguida uma idéia clara da natureza
do mal posicionamento a ser corrigido. O autor sugere, pois, o seguinte
(que embora talvez não tão perfeito, parece ainda
ser uma grande melhora em relação ao uso atual):
Por
exemplo, um dente fora da linha de oclusão pode ser dito
estar em oclusão bucal ou labial; quando dentro desta linha,
estará em oclusão lingual; ou, se ainda estiver mais
para a frente mesialmente do que o normal, em oclusão mesial;
caso esteja na direção oposta, em oclusão distal;
se voltado em seu eixo, estará em oclusão de torso.
Dentes que não estejam suficientemente elevados em seus alvéolos
estariam em infra-oclusão, e aqueles que ocupam posições
de demasiada elevação estariam em supra-oclusão.
Estes
diferentes posicionamentos incorretos, em suas modificações
e combinações, formam a base para variações
ilimitadas de oclusão (afastando-se) do normal, desde o mais
simples até o mais complexo, onde podem estar envolvidas
não apenas os mal posicionamentos de todos os dentes, mas
até mesmo as relações da maxila e mandíbula,
resultando em deformidades evidentes e produzindo aparências
sem equilíbrio e harmonia.
CLASSIFICAÇÃO
DE MALOCLUSÃO.
Como
já afirmado, só pode haver 7 posições
distintas ocupadas por dentes em maloclusão. Estes dentes,
com suas inclinações, formam combinações
praticamente ilimitadas em variedade, apresentando ao observador
casual diferenças tão distintas a ponto de tornar
cada uma aparentemente totalmente diferente de todas as outras.
Fracasso em dominar os princípios que servem de base, tem
criado o ensino de que, como cada caso é tão radicalmente
diferente de todos os outros, necessita-se a invenção
e construção de um dispositivo para atender suas exigências
especiais.
Na
realidade, todos os casos de maloclusão podem ser dispostos
em Classes bem definidas como as plantas, os animais, ou os elementos;
e dominando-se completamente as características distintas
de oclusão e das linhas faciais peculiares a cada classe,
o diagnóstico de qualquer caso dado fica grandemente simplificado.
Ao
mesmo tempo, familiaridade com as possibilidades de movimento dentário
e com as mudanças que são requisito a cada classe
distinta e separada, para obter-se harmonia em oclusão e
nas linhas faciais, e um conhecimento dos aparelhos-padrão
idealizados para cada classe especial como sendo melhor adequados
para produzir estas mudanças, reduzirá ao mínimo
as dificuldades de tratamento.
Ao
se diagnosticar casos de maloclusões, deve-se considerar
1º, as relações mésio-distais das arcadas
dentárias; 2º, as posições individuais
dos dentes. No que é dito sobre o diagnóstico e na
classificação a seguir, para conveniência, dois
pontos foram selecionados a partir dos quais observar variações
do normal nos arcadas. Estes pontos são indicados por linhas
pretas nas gravações, mostrando as relações
normais das cúspides e da cúspide mésio-bucal
do primeiro molar superior com o sulco bucal do primeiro molar inferior.
Naturalmente,
ao se determinar as variações mesio-distais, TODOS
os dentes devem ser levados em consideração, mas os
pontos indicados são desde a muito favoritos do autor no
início do diagnóstico dos casos, pela razão
que os primeiros molares e cúspides são muito mais
confiáveis como pontos a partir dos quais julgar, devido
ao fato deles ocuparem posições NORMAIS com muito
maior freqüência do que qualquer um dos outros dentes,
os molares sendo menos restringidos na ocupação de
suas posições, ao passo que as cúspides, devido
à sua história e grande tamanho, forçam seu
caminho usualmente para dentro de posições normais
em suas arcadas.
CLASSE
I
Figura
6 - Posição relativa das arcadas dentárias,
mesio-distalmente, normal, com primeiros molares usualmente em oclusão
normal, embora um ou mais possam estar em oclusão LINGUAL
ou BUCAL. Casos pertencendo a esta classe excedem em muito aqueles
de todas as demais classes combinadas (vide tabela), variando da
simples sobreposição de um incisivo isolado, até
o mais complexo, envolvendo as posições de todos os
dentes em ambas as arcadas (Figura 1).
A
maloclusão fica principalmente limitada aos incisivos das
arcadas tanto superior como inferior.
CLASSE
II
As
relações relativas mésio-distais das arcadas
dentárias são anormais; todos os dentes inferiores
ocluindo distais ao normal, produzindo desarmonia muito marcante
na região incisiva e nas linhas faciais.
Desta
classe há duas divisões, cada uma possuindo uma subdivisão.
A primeira divisão é caracterizada por um estreitamento
da arcada superior, incisivos superiores alongados e em protrusão,
acompanhados por função anormal dos lábios
e alguma forma de obstrução nasal e respiração
pela boca (Figura 2).
As
características gerais da subdivisão são as
mesmas como na primeira divisão, apenas de um grau menor,
onde uma das metades laterais apenas está em oclusão
distal, a relação da outra metade lateral sendo normal,
como mostrado na Figura 3. O paciente é
também uma pessoa que respira pela boca.
A
segunda divisão (Figuras 4 e7)
é caracterizada por um menor estreitamento da arcada superior,
inclinação lingual dos incisivos superiores, e por
maior ou menor apinhamento dos mesmos, e está associado com
função nasal e labial normais (Figura
4).
As
peculiaridades desta subdivisão são similares àquelas
da Classe II, Divisão 2, que se acabou de descrever, exceto
que uma das metades laterais apenas está em oclusão
distal, a outra metade lateral sendo normal, como na Figura
5.
CLASSE
III
A
relação dos maxilares é anormal, todos os dentes
inferiores ocluindo mesialmente à relação normal
na largura de um pré-molar (Figura 6)
ou até mesmo mais em casos extremos, como a largura de um
molar. A disposição dos dentes as arcadas varia grandemente
nesta Classe, desde um de alinhamento bastante parelho até
considerável apinhamento e sobreposição, especialmente
na arcada superior. Há geralmente uma inclinação
lingual dos incisivos inferiores e caninos, que se torna mais pronunciada
conforme o paciente envelhece, devido à pressão do
lábio inferior no esforço para fechar a boca.
A
desarmonia no tamanho das arcadas deve-se, geralmente, ao desenvolvimento
pouco harmonioso dos ossos maxilares, o ângulo da mandíbula
sendo mais obtuso do que o normal; ou pode ser o resultado de super-desenvolvimento
no corpo do maxilar. Ocasionalmente, casos são encontrados
onde parece haver super-desenvolvimento em certas localidades do
corpo. Pode-se, ainda, observar um super-desenvolvimento local de
ambas as metades laterais entre os pré-molares, um espaço
sendo maior do que a largura de um pré-molar, o outro não
sendo tão grande.
Em
outros casos encontrados, a mandíbula parece ter forma normal,
a protrusão sendo aparentemente causada por estar a articulação
têmporo-maxilar mais anterior do que o normal, isto provavelmente
sendo devido ao gradual deslizamento para diante dos côndilos
e a modificações das fossas.
Em
todos os casos de maloclusão pertencendo a esta Classe, a
desfiguração das linhas faciais é mais notável,
chegando em alguns casos a deformidades muito pronunciadas.
Esta
Classe também possui uma subdivisão, cujas características
gerais são as mesmas que as da Classe principal, exceto que
a desarmonia tem grau menor, onde uma das metades laterais apenas
está em oclusão mesial, a outra metade lateral sendo
normal.
É
bastante provável que todos os casos encontrados estejam
incluídos nas classificações acima. Ainda permanece,
contudo, uma possível classe - a saber, onde uma das metades
laterais acha-se em oclusão mesial, enquanto a outra está
em distal, mas casos assim são tão raros que nenhuma
outra referência se faz necessária.
Na
classificação acima será vista que cada uma
das metades laterais das arcadas deveria ser considerada como distinta,
mas ainda assim de igual importância no diagnóstico.
Com
freqüência, casos são encontrados onde um certo
número dos dentes aparentemente oclui sobre as pontas das
cúspides, sugerindo a primeira vista duas classes; porém,
em exame cuidadoso, será visto que uma maioria dos planos
inclinados favorecem seja uma ou outra destas Classes.
A
perda de um dente por extração ou de outro modo é
geralmente seguida por mudanças tão marcantes nas
posições dos dentes remanescentes que tanto o diagnóstico
como o tratamento ficam muito complicados. Assim, cuidado e bom
julgamento deveriam ser exercidos, dando-se a devida atenção
para a inclinação de cada dente e para outras alterações
que resultem da extração.
CLASSE
I - Posição relativa das arcadas dent;árias,
mesio-distalmente, normal, com maloclusões geralmente limitadas
aos dentes anteriores.
CLASSE
II - Retrusão da mandíbula em relação
à arcada dentária superior.
Divisão 1- a- Arcada superior estreita, com incisivos
superiores alongados e proeminentes; falta de função
nasal e função dos lábios. Indivíduos
que respiram pela boca; b- Mesmo como em a, mas apenas com
uma metade lateral da arcada envolvida, a outra sendo normal. Indivíduos
que respiram pela boca.
Divisão 2- a- Leve estreitamento da arcada superior;
apinhamento dos incisivos superiores, com sobreposição
e inclinação lingual; função nasal e
dos lábios normal; b- Mesmo como a, mas com apenas uma metade
lateral da arcada envolvida, a outra sendo normal; função
de lábio e boca normal.
CLASSE
III- a- Protrusão da mandíbula, com oclusão
mesial dos dentes inferiores; incisivos inferiores e caninos inclinados
lingualmente; b- Mesmo como em a, mas com apenas uma metade
lateral da arcada envolvida, a outra sendo normal.
Dentre
vários milhares de casos de maloclusão examinados,
a proporção por milhar pertencente a cada classe foi
a seguinte:
CLASSE
I...........................................692
CLASSE II
Divisão
1...............................90
Subdivisão 1..........................34
Divisão 2...............................42
Subdivisão 2..........................100
CLASSE
III........................................34
Subdivisão............................8
TOTAL.............................................1000
Antes
de entrar numa análise cuidadosa de casos de maloclusão
e seus diagnósticos, será necessário considerar
uma outra fase importante do assunto, - a saber, a relação
das características para a oclusão dos dentes.
| FIGURA
1 - CLASSE I |
| 
|
| FIGURA
2 - CLASSE II,1 |
| 
|
| FIGURA
5 - CLASSE II, divisão 2, subdivisão esquerda |
| 
|
| FIGURA
4 - CLASSE II, divisão 2 |
| 
|
| FIGURA
5 - CLASSE II, divisão 2, subdivisão esquerda |
| 
|
| FIGURA
6 - CLASSE III |
| 
|
| FIGURA
7 - CLASSE II, 2a DIVISÃO |
| 
|
| FIGURA
8 - RELAÇÃO DOS CANINOS |
| 
|
| FIGURA
9 - OCLUSÃO NORMAL - from Angle,1899 |
 |
|