| MALOCLUSÃO:
SIMPLESMENTE MALOCLUSÃO?
"Observe
bem os pequenos detalhes e empregue-os, pois você vai
descobrir que eles são de grande importância".
"A
oclusão dentária normal pode ser definida como a relação
dos planos inclinados oclusais dos dentes, quando os maxilares estão
fechados" (Angle, 1899). Por outro lado, Strang, em 1958 ,
diz que "a oclusão dentária normal pode ser definida
como um complexo estrutural constituído, fundamentalmente,
pelos dentes e maxilares, caracterizado por uma relação
normal dos chamados planos inclinados oclusais dos dentes que se
acham situados, individualmente e em conjunto, em harmonia arquitetônica
com seus ossos basais e com a anatomia cranial, que apresentam pontos
de contatos proximais e posições axiais corretas,
e se acompanham com crescimento, desenvolvimento, posições
e correlações normais de todos os tecidos e estruturas
circundantes". E, define maloclusão, como todo e qualquer
desvio da oclusão dentária normal".
O
verbete maloclusão é de fácil e ao mesmo tempo
de difícil interpretação. Fácil se o
analisarmos pela percepção instantânea: maloclusão
é qualquer desvio da oclusão normal. Por outro lado,
o mesmo pode ser, e o é, amplo e complexo, uma vez que a
sua representação vai desde uma única alteração
até a maior discrepância dento-crânio-facial
nos planos horizontal, vertical e transversal (Figs. 1 a 8). Hellman
identificou cerca de 80 condições necessárias
para que haja uma "oclusão dentária normal".
Por isso não é surpresa a constatação
que cada um dos 32 dentes podem estar mal posicionados ou mal formados
em cada uma das três dimensões do espaço.
Desde
os tempos de Angle tenta-se corrigir a maloclusão. Muitos
manuais foram criados com o intuito de orientar a montagem de aparelhos
construídos em diferentes formatos e com materiais dos mais
diversos fabricantes, implicando, assim, o emprego de variadas técnicas
que objetivam a referida correção.
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| Exemplos
de mordidas cruzadas posteriores nas dentições
decídua, mista e permanente. |
A
tecnologia utilizada para melhorar os materiais componentes dos
aparelhos ortodônticos é muito importante. A facilidade
e a simultaneidade, advindas da globalização com um
simples clicar do mouse, colocam-na ao alcance dos pesquisadores
que podem, ou não a, assimilar em sua totalidade. Por outro
lado, se o conhecimento e a destreza manual fossem cumulativos,
supostamente os resultados da correção das maloclusões
seriam excelentes, com todos os objetivos ortodônticos atingidos
com perfeição absoluta, sem que nenhum esforço
fosse exigido dos que se iniciassem na Ortodontia. Uma vez que a
vida é um eterno aprender a aprender, visto que nascemos
simples e ignorantes, tem-se a obrigação, não
só de se aperfeiçoar na busca de conhecimentos e destreza
manual, mas, também, na busca do bom senso, pois não
se deve esperar que o aparelho "faça e resolva"
tudo, corrigindo "num passe de mágica" qualquer
problema desta natureza.
Quando
"enchemos a boca" para dizer maloclusão, não
observamos a sua amplitude pois esta pode se referir a mil posicionamentos
indesejados que vai do mais simples aos mais complexos, assim sendo,
o ortodontista visando a atingir os seus objetivos, deve reconhecer,
no alvorecer do século XXI, o A,B,C,D da Ortodontia,
que os norteiam como parte integrante dos seguintes vocábulos:
(A)parelho, (B)om senso, (C)ooperação e, principalmente,
(D)iagnóstico, os quais representam o domínio dos
alinhamento, nivelamento, retração, finalização
e contenção dos dentes.
Publicado
no seguinte periódico:
- J.
Bras. Ortodon. Ortop. Facial Curitiba, v. 5, n. 28, p. 6,
jul./ago. 2000. Issn 1516-7569.

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