uu

O BALDE

Quando menino, eu era muito inconstante e preguiçoso.

Faltava-me persistência, inclusive para os estudos.

Um dia, quando eu brincava no quintal, meu avô chamou-me e mostrou-me, no soalho do galpão, um grande balde cheio de água.

Tinha na mão uma linda pêra, lisa e brilhante, que, de imediato, despertou a minha cobiça. Entretanto, para minha decepção, ele não me deu. Pegou o fruto, delicioso e maduro, e colocou-o na água, ele ficou a flutuar. E, então, me disse:

- Você quer essa pêra, não quer? Pois ela será sua. Mas terá de apanhá-la, sem o auxílio das mãos, só com os dentes.

A pêra era tentadora e eu atirei-me à tarefa que, de início, até pareceu divertida.

Entretanto, aos poucos, fui me cansando e terminei por desistir, sem lograr o objetivo.

Meu avô, porém, incitava-me a tentar de novo, a redobrar esforços.

E, ao cabo de algum tempo eu já com as costas doendo a alagado de suor -, consegui abocanhar a fruta.

E foi com orgulho que a entreguei ao meu avô.

Então ele me disse com simplicidade, sorrindo bondosamente:

- Você viu como é agradável a sensação que teve ao vencer? Se quiser ter para si os frutos bons da vida e sentir sempre essa maravilhosa emoção que faz sorrir, lembre-se sempre disto: é preciso persistir, persistir e persistir. Tome, a pêra é sua, você vê que, agora, tem mesmo direito a ela.

A lição impressionou-me profundamente.

E hoje, toda vez que me sinto inclinado ao desânimo, lembro-me daquela experiência com a pêra e atiro-me para frente, com redobrados esforços.

RODRIGUES, Wallace Leal V. E, para o resto da vida... 3. ed. São Paulo : Casa Editora O Clarim, 1992. p. 25 e 26.


Imprimir esta Página