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A MOEDA

Quando criança, certo dia, estando na loja de meu pai, fui interpelado por um mendigo que pedia esmola.

Notando os trajes andrajosos do homem, mais que depressa corri à gaveta do balcão e retirei uma moeda, que fui entregar, muito alegremente, ao pedinte.

Meu pai assistiu a tudo, porém nada me disse, continuando, calmamente, a atender a sua freguesia.

Não muito tempo se passou e uma pobre mulher apareceu, fazendo a mesma solicitação.

Não hesitei e corri à gaveta, porém antes que a abrisse meu pai embargou o meu gesto. E disse muito naturalmente:

- Onde está o cofre onde você guarda as moedinhas que lhe sobram?

- Aqui mesmo, na gaveta de sua escrivaninha.

- Então, filho, vá buscá-la.

Eu trouxe o cofre e papai pediu que o abrisse. Obedeci.

- Agora, filho, você vai escolher uma moedinha igual àquela que ia dar...

Escolhi...

- Agora você pode entregá-la à senhora.

Fiz o que me mandava, muito surpreso. Quando a mulher se retirou, papai me explicou:

- Filho, o verdadeiro óbulo, o que agrada a Deus é somente aquele que provém do que é verdadeiramente nosso. Você agiu certo da primeira vez, só que não deu o que era seu. É dando que recebemos, mas só recebemos da Misericórdia Divina quando damos o que temos. Compreendeu?

Sim eu compreendera. Ele arrematou dizendo:

- Você já ouviu as pessoas comentando façanhas alheias e dizendo que a cortesia foi feita com o chapéu alheio? É isso. Eu lhe peço que só use o seu chapéu. E tudo estará certo.

Nunca mais esqueci o episódio, pois foi assim que aprendi o verdadeiro sentido do ato de dar. A lição permaneceu em mim por toda a vida e tem me ajudado a realizar uma caridade mais autêntica e mais coerente.

RODRIGUES, W.L.V. E, para o resto da vida...Contos que tocam o coração. 5.ed. São Paulo : Casa Editora O Clarim, 2001. p.130- 131.


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