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O
PENTEADO
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Por que há de você perder seu mau humor, torcendo seu
cabelo nessa barafunda? Perguntou meu pai quando me encontrou chorando
de raiva porque eu era muito menina e não tinha a habilidade
necessária para fazer penteado em moda nos meus tempos de
colégio.
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É a moda! Lamentei-me. Só o meu nunca fica direito!
Olhando-me
gravemente, papai sugeriu: - Divida o cabelo ao meio, penteio-o
para trás e amarre-o com uma fita.
Atendi-o,
embora desajeitadamente. Ele acrescentou: - Agora use-o assim durante
uma semana, e, se metade das meninas de sua classe não copiarem
de você, dou-lhe cem reais.
Pensei
comigo que ele era incrivelmente ingênuo. Cem reais, entretanto,
era uma fortuna a que não podia resistir.
Tivesse
eu chegado à aula vestida com a camisola de dormir, minha
agonia não teria sido maior. Mas, quando a semana acabou,
quase todas as meninas de minha classe estavam usando o cabelo separado
pelo meio, atado atrás com uma fita!
Quando
narrei o sucedido a meu pai, ele comentou: - Nunca tenha medo de
uma idéia própria e, se ela for certa, siga para diante,
sem se importar com o que faça a gente.
E,
embora tivesse ganho a aposta, deu-me os cem reais. Papai nunca
poderia imaginar o quanto essa lição, tão simples,
reforçou a minha personalidade e auxiliou-me, principalmente
em situações em que , como sempre acontece, a pressão
dos grupos ameaça anular-nos e nos converter em simples robôs.
RODRIGUES,
W.L.V. E, para o resto da vida...Contos que tocam o coração.
5.ed. São Paulo : Casa Editora O Clarim, 2001. p.52-53.
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