| O
CUSTO DA GRATIDÃO
Randal e seu pai costumavam passear juntos aos sábados. Nada
espetacular. Simplesmente uma ida ao parque, ou à marina
para olhar os barcos.
Por vezes, uma vista em lojas de bugigangas, só para comprar
aparelhos eletrônicos baratos, para desmontá-los ao
chegar em casa e verificar seu sistema de funcionamento.
Algumas vezes havia uma parada na sorveteria, Randal nunca sabia
se o pai iria ou não parar na sorveteria. Por isso, esperava
ansioso, na volta para casa, que o pai enveredasse por aquela esquina
decisiva. A esquina que significava animação e água
na boca.
O pai do garoto, por vezes, tomava o caminho mais longo. Dizia que
era para mudar um pouco o trajeto. Em verdade, parecia um jogo,
onde ele ficava testando o autocontrole do filho.
Quando chegava na esquina, ele oferecia:
- Quer um sorvete de casquinha?
O garoto pedia sorvete de chocolate, e pai, de creme. Andavam devagar
até o carro e ficavam saboreando o sorvete. Para o garoto,
aquilo era o paraíso.
Certo dia, em que rumando para casa, passavam pela esquina, o pai
perguntou:
- E aí, quer um sorvete de casquinha, hoje?
- Boa pedida! disse Randal.
- Também acho, concordou o pai. Não quer pagar hoje?
O sorvete custava então vinte centavos. A cabeça de
Randal começou a girar. Ele podia pagar. Ganhava uma semana
semanal de vinte e cinco centavos, mais uns trocados por serviços
eventuais.
Mas ele queria economizar. Economizar era importante. E, por se
tratar de seu dinheiro, Randal achou que o sorvete não era
um bom investimento.
E aí ele disse as palavras mais feias que podia ter dito
naquele momento:
- Bom, nesse caso, acho que vou desistir.
A resposta do pai foi lacônica. Concordou e começou
a andar em direção ao carro estacionado. Assim que
fizeram a curva a caminho de casa, o garoto percebeu o quanto estava
errado.
Como ele pudera ser tão mesquinho? Seu já perdera
a conta de quantos sorvetes lhe pagara e ele nunca comprara nenhum
para ele. Como ele pudera perder aquela oportunidade rara de dar
alguma coisa àquele pai tão generoso?
Pediu ao pai que voltasse. Em vão. Randal ficou se sentindo
péssimo por seu egoísmo, sua ingratidão. Foram
para casa.
Aquela semana foi terrível, longa e angustiante. O pai não
agiu como se estivesse desapontado ou desiludido. Contudo, o garoto
pensava e pensava.
No final de semana seguinte, quando fizeram o novo passeio, ele
fez questão de conduzir o pai até a sorveteria e lhe
oferecer, sorrindo:
- Pai, que um sorvete de casquinha hoje? Eu pago!
Naqueles dias, Randal aprendeu que a generosidade tem mão
dupla, que a gratidão algumas vezes custa um pouco mais do
que um simples “obrigado”.
No se caso especifico, lhe custou vinte centavos. E lhe valeu uma
lição para a vida.
CANFIELD,
J.; HANSEN,M.V.; KIRBERGER,K. História para aquecer o coração
dos adolescentes. Ed. Sextante.
|