BOLO
Meu irmão e eu chegávamos sempre em casa com muita fome , ao regressar da escola .
Um dia , como eu pedisse de comer , minha mão pôs-nos diante de meio bolo , na mesa da cozinha .
Colocando uma faca ao lado do bolo , disse:
Um de vocês vai cortar o bolo , mas o outro vai poder escolher , em primeiro lugar , o seu pedaço .
Meu irmão , querendo fazer-se de esperto , deitou logo mão na faca e ia, evidentemente , cortar o bolo em dois pedaços desiguais .
Mas , de repente , parou. Olhando primeiramente para nossa mãe e, depois , para mim , cortou o bolo exatamente no meio .
E esperou que eu me servisse. Qualquer pedaço que eu escolhesse daria no mesmo : nenhum de nós sairia prejudicado.
E comemos, alegremente , mas porções idênticas.
Desde então , fosse o que fosse que houvesse a repartir – pão com manteiga , doces , pastéis, bolos ou balas - tudo era sempre dividido conscienciosamente em partes iguais .
Isso nos ensinou um respeito , que nunca conheceu arrefecimento , para os direitos daqueles com quem tínhamos que compartilhar alguma coisa .
RODRIGUES, W.L.V. E, para o resto da vida ... Contos que tocam o coração . 5.ed. São Paulo : Casa Editora O Clarim , 2001. p.88-89
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