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O RIO

 

Em criança eu tinha uma grande preocupação:

Não desanimar ante as dificuldades que se me apresentavam.

Mas queria vencê-las fosse como fosse. A ferro e fogo. Como, nem sempre, os meus métodos violentos tivessem êxito, eu mergulhava em pranto.

Debalde, por diversas vezes, meu avô procurara me aconselhar, mostrando-me o erro em que eu incidia.

Um dia estávamos, eu e ele, sentados à margem de um pequeno rio e, em um hiato da nossa conversação; enquanto olhávamos a clara correnteza que deslizava, ele se voltou para mim e disse:

- Minha filha, repara bem este riacho. Veja: o seu ideal é correr. Correr até onde possa descansar a suas águas. Mas seu curso nem sempre é tranqüilo. Observe, não são poucos os obstáculos que ele encontra: pedras, elevações do terreno, troncos, galhos de árvores. Todavia, ele não se detém. Mas, também, não se atira, cegamente, contra as barreiras. Pelo contrário, procura, antes, verificar se pode vencê-las. Não sendo possível, contorna-as e segue sua jornada com a mesma serenidade. É assim que você, na vida, deve proceder para vencer obstáculos e prosseguir em paz.

Esta paliavas sensatas de meu avô calaram-me profundamente no espírito.

E ainda hoje me valho, sempre com êxito, nos momentos difíceis, dessa sua lição...

 

RODRIGUES, W.L.V. E, para o resto da vida... Contos que tocam o coração . 5.ed. São Paulo : Casa Editora O Clarim, 2001. p.90-92.

 

 



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