O REMÉDIO
Graças a um estratagema de mau pai, aprendi, ainda muito novo, a dominar os meus acessos de raiva.
Eu e meu irmão brigávamos a cada instante.
E tínhamos grandes e freqüentes turras.
Um dia, vendo-nos encolerizados, sem se zangar meu pai deu a cada um de nós um pedaço de trapo. E levou-nos para perto de uma porta envidraçada.
Vocês vão limpar o mesmo pedaço desta vidraça, mas cada um de um lado. Comecem por aqui.
No princípio, obrigados a ficar olhando um para a cara do outro, estávamos sisudos e aborrecidos.
Mas não tardou muito ambos, meu irmão e eu, caímos na gargalhada.
E a zanga ficou esquecida.
O riso, disse-nos papai, é o melhor remédio para a cólera.
Ainda hoje, quando me irrito contra alguém, imagino que cara faríamos vendo-nos através da vidraça, frente a frente, a dar-lhe lustro.
E, sempre, a minha cólera se esvai...
RODRIGUES, W.L.V. E, para o resto da vida... Contos que tocam o coração . 5.ed. São Paulo : Casa Editora O Clarim, 2001. p.96-97.
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