Dr. Orlando Tanaka
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COMO VIVEM AS FLORES

Era uma tarde quente de verão, e o vendaval agitava a folhagem com violência, anunciando a tempestade que se aproximava rapidamente...

Pelas janelas abertas, um suave perfume enchia a casa...

Lá fora, um espetáculo digno de nota acontecia...

Açoitados pelo vento, os pés de manjericão, alfavaca e lavanda dobravam-se e liberavam um delicioso perfume.

Era impressionante notar a maneira como as flores e folhagens respondiam aos golpes violentos do vento...

Os primeiros pingos de chuva enfeitavam as rosas abertas como se fossem diamantes líquidos...

Mas o temporal anunciado logo chegou e as gotas da chuva, agora misturadas com o vento forte, pareciam um bombardeio cruel macerando as suaves pétalas, que respondiam à agressão liberando um perfume inconfundível...

Era incrível aquela lição viva de generosidade e resignação!

Ante a violência do temporal, instintivamente as plantas se dobravam para não quebrar...

As plantas não pensam, não são seres racionais, mas cumprem, silenciosas e submissas, a tarefa que aquele que não precisa de assinatura lhes confia, apesar das tempestades da vida...

Assim também agem algumas pessoas. São como as flores que, mesmo maceradas pela enfermidade cruel, pela agrestia da vida, respondem com o perfume do otimismo e da alegria.

Seres racionais que são, sabem que todas as lições que lhes chegam são oportunidades de crescimento e auto-superação.

Isso acontece com uma jovem senhora, agredida por um câncer cruel que tenta lhe roubar o corpo, minando-o aos poucos e insistentemente.

Quando soube que teria que fazer quimioterapia novamente, não se desesperou.

“Eu venci essa doença uma vez e vou vencê-la de novo.” Falava com fé e disposição na alma.

A família, preocupada com seu estado de saúde, insiste para que ela fique em casa, repousando, mas ela prefere trabalhar.

Trabalha como vendedora e sempre supera as metas estabelecidas pela gerência.

Quando faz o tratamento quimioterápico, ela passa muito mal. Mas a dor não a impede de estar o dia todo com um sorriso nos lábios, distribuindo otimismo entre seus colegas.

Sempre gentil, ela dribla a doença, trabalha, confia, sofre, espera.

Uma pessoa assim é como uma flor que, mesmo açoitada pelos ventos fortes e pela violência da chuva, exala perfume e não deixa de florescer a cada primavera.

Até parece que aquele que não precisa de assinatura permite que pessoas assim nasçam na terra para exemplificar a resignação, a confiança, o otimismo...

Pessoas que não se deixam desanimar, mesmo diante dos quadros mais graves e desesperadores.

O corpo sofre as agressões da doença, não há dúvida. Mas o espírito está intacto, lúcido, ofertando o perfume da gratidão para aquele que não precisa de assinatura pela bênção da vida. E vive intensamente.

Enquanto muitas pessoas saudáveis reclamam por coisas mínimas, faltam ao trabalho sem motivos justos, aquela mulher-flor abre suas pétalas de esperança dignificando a oportunidade de crescer que o Criador lhe concede.

Sem dúvida um exemplo incomum...

Em vez de se deixar derrotar pela enfermidade, ela luta com vigor e coragem, e, acima de tudo, com confiança plena naquele que não precisa de assinatura...

Quando, em algum momento, sua coragem ameaça vacilar, pensa nas pessoas que sofrem mais que ela e firma o passo outra vez, seguindo em frente.

Imitando as flores que, mesmo tendo suas pétalas rasgadas pelo granizo, não deixam de exalar perfume, também essa moça valente não permite que a doença lhe roube a paz de espírito e a imensa vontade de viver...

Busque viver com otimismo, por mais que a situação esteja difícil...