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CURITIBA, capital do Paraná,

Cidade SORRISO

E tudo começou com um SORRISO...

ROMA, CIDADE ETERNA. PARIS, CIDADE LUZ. Motivos não faltam para associar estes predicativos a duas das mais importantes capitais da Europa. Se uma guarda o destino que lhe foi conferido pelos deuses na época de césares augustos, a outra faz concorrência com as estrelas – brilham suas vitrines, praças e avenidas e, principalmente, a elegância do seu povo. Eis que, um belo dia, um poeta visita do seu povo. Eis que, um belo dia, um poeta visitante foi cativado pela simpatia de uma pequena cidade brasileira. Uma conquista e tanto para um país que, pouco tempo depois, teria mais uma significativa homenagem dirigida a uma de suas cidades, que passou a ostentar merecidamente o título de Maravilhosa. Retornando algumas décadas no tempo, pode-se imaginar o que levou um literato a traçar rimas para unir definitivamente o nome de Curitiba a um franco e acolhedor sorriso. Hermes Fontes veio a passeio por estas paragens. Sentiu-se em casa; à vontade entre sua gente. Circulou, sem pressa, pelos logradouros e comoveu-se diante da facilidade com que lhe retribuíam os cumprimentos. O cenário que o acolhia contrastava, com certeza, com o que havia deixado para trás: mesmo sem comparativos com as loucuras urbanas contemporâneas, o Rio de Janeiro, nos anos 20, já revelava contornos de uma alegria indomável. A cidade de bons modos, situada mais ao sul, possuía encantos, aos quais não poderia permanecer alheio. Foram sorrisos – ou sorriso de alguém especial – que inspiraram versos que formataram o lema mais conhecido da capital paranaense?

Cidade SORRISO

A historiadora Cassiana Lacerda esclarece que o cognome Cidade Sorriso surgiu realmente da sensibilidade de Hermes Fontes, que assim denominou Curitiba, em prosa e verso. O registro de sua inspiração encontra-se nas páginas da Gazeta do Povo, edição de 25 de fevereiro de 1929. “O visitante considerou a cidade ‘amanhecida’, impressionado pela beleza de suas manhãs luminosas, quando as colonas chegavam ao centro em charretes trazendo a produção fresquinha colhida no campo. Ao contrário de outros locais, não eram homens rudes em carroças que faziam este trabalho, mas, sim, mulheres que, na sua opinião, eram delicadas, bonitas e saudáveis”, destaca a pesquisadora.

Mais de sete décadas depois, a marca registrada da cidade continua imbatível em franqueza e sinceridade. Transcende até mesmo a fama de frieza de sua população: afinal, quem consegue iluminar o rosto de um curitibano descobre doçuras e delicadezas resguardadas, mas não reprimidas. O autor do cognome virou rua no Batel e vem compartilhando, desde então, a cada 29 de março (308 anos em 2001), da alegria – que é de todos os curitibanos – de viver numa cidade que não consegue separar o sorriso de seu nome. Tanto que esta é a frase mais lembrada - inclusive comprovada por pesquisas de marketing – quando se quer fazer referência à capital paranaense.

Se você, por acaso, encontrar na rua, um dia destes, um curitibano e este lhe parecer antipático, não se preocupe: é que ele tem certeza que vocês estarão se reencontrando em breve e poderá, então, retribuir com um sorriso generoso ao seu cumprimento. Na verdade, é um jeito muito seu de prolongar o prazer de um momento que, de outra maneira, poderia ser facilmente esquecido.

BIOGRAFIA

Hermes Fontes – que na certidão de nascimento carregava também outros nomes, incluindo Floro Bartolomeu Martins de Araújo, nasceu em Sergipe, mas cariocou-se muito cedo. Além de poeta, foi jornalista – teve seu próprio jornal, A Estréia, e escreveu para A Notícia, Correio da Manhã, Gazeta de Notícias, Fon-Fon e Jornal do Comércio. Assinou a letra de uma modinha popular, “Luar de Paquetá”. Morreu em 1930.

MICHEL, NEREIDE. In: Gazeta do Povo, Curitiba, Viverbem, p.3, 25/03/2001.


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