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NÃO
TENHO TEMPO
Com
o pretexto de que estamos sempre precisando aumentar a nossa renda,
vivemos cumulando afazeres para ganhar mais; para possuir mais;
para ser mais, para nos preocupar mais; e tudo isso para que?
Alexandre,
o Grande, foi visitar o pensador grego Diógenes, de quem
era fã. Diógenes perguntou-lhe os planos para o futuro.
Alexandre disse que queria conquistar a Grécia.. " -
E depois disso?" perguntou-lhe Diógenes. Alexandre
disse que iria conquistar a Ásia Menor. " - E depois
disso?". Alexandre disse que pretendia conquistar o mundo.
" - E depois disso?". Alexandre disse que então
pretendia descansar e se divertir. Diógenes então
lhe falou:" - Então, porque não se poupa esse
trabalho todo e não começa a descansar e se divertir
desde agora?
COVEY,
S (First things First), ensina que a administração
tradicional do tempo lida com o cronos, palavra grega que significa
o tempo medido pelo relógio. Cronos é o tempo linear
e em seqüência, e é ele quem dita o ritmo de nossas
vidas. Mas existe outra maneira de abordar a vida: kairos. Aqui
o tempo passa a ser algo que é vivido, algo do qual se tira
valor. Quando perguntamos "você passou bem o seu dia?"
não estamos nos referindo ao tempo linear daquele dia, mas
à qualidade desse tempo. Ou seja: kairos é o tempo
qualitativo.
Para
NEEDLEMAN, J. (O tempo e a alma), o tempo á a maior
carência do homem moderno. Somos escravos do tempo e, ao mesmo
tempo, pobres deles. Coisas que se costumava considerar como sinais
de sucesso - ser ocupado, ter muitas responsabilidades, estar envolvido
em muitos projetos ou atividades - hoje representam aflições.
É
preciso encontrar a medida certa. O homem comum só a encontra
depois de muito penar e refletir. O homem de senso moral mais amadurecido
a encontra por intuição.
Alguém
disse como era interessante observar a saída dos metalúrgicos
da fábrica de automóveis, do ABC paulista, na sexta-feira
à tarde. Quando abriam os portões, pareciam pássaros
soltos da gaiola, correndo para a liberdade. Sentimento oposto,
de verdadeira prisão, se observava no rosto de cada um, quando
retornavam na segunda-feira de manhã.
Poderia
alguém perguntar: "mas como ser feliz, tendo de estudar,
trabalhar e preparar seminários feito um escravo, a
maior parte do tempo?"
Talvez
este seja um dos males da cultura ocidental: ainda não conseguimos
encontrar prazer na atividade que desenvolvemos de segunda a sexta-feira.
Ainda
somos criaturas muito imperfeitas, querendo sorver a vida de um
gole só, nesse espaço que medeia entre a segunda e
a sexta-feira.
Ainda
não descobrimos o prazer da atividade diária bem dosada,
com pausa para a reflexão, para observar nossas atitudes
diante das coisas da vida, procurando melhorar a qualidade do nosso
tempo.
O
pedreiro (aquele da catedral, quebrando pedra, todo animado, lembra-se?)
certa feita foi consultado sobre como é que ele conseguia
quebrar mais de 500 pedras por dia. Com naturalidade, ele
respondeu: " - simplesmente vou quebrando... uma de cada vez...,
vou batendo uma a uma..."
Preciosa
lição, ele ia quebrando, de uma em uma. Vez por outra,
atendia e conversava com algumas pessoas, numa prosa agradável,
bem-humorada e repleta de ensinamentos (como foi o caso do engenheiro
...." estou construindo uma catedral"...
Lição
preciosa para nós que vivemos reclamando da falta de tempo,
atropelando compromissos e superlotando cada vez mais as nossas
agendas, sem a preocupação de estabelecer prioridades
e de viver com intensidade aquilo que estamos a fazer no momento.
Cuidamos
dos nossos afazeres, um a um, cuidemos melhor da qualidade do nosso
tempo, deixemos de ficar tanto tempo hipnotizados em frente
da TV, plugados na internet, de engolir tanta informação
sem conseguir analisar ou utilizar para o seu crescimento moral
e intelectual, de ler tantas coisa absolutamente inúteis,
de viver sem selecionar os nossos pensamentos, apenas porque a maioria
das pessoas "normais" também faz isso.
Se
conseguirmos fazer essa mudança, o tempo terá aumentado
significativamente. Ou, pelo menos, não seremos seus escravos.
Pensemos
nisso....Agora!
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