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O PREÇO DO AMOR

Um menino, com uma voz tímida e os olhos de admiração, pergunta ao pai quando este retorna do trabalho:

- Pai, quanto o senhor ganha por hora?

O pai, num gesto severo, responde:

- Escute aqui, meu filho, isto nem sua mãe sabe. Não amole, estou cansado.

Mas o menino insiste:

- Mas papai, por favor, diga quanto o senhor ganha por hora.

A reação do pai foi menos severa e respondeu:

- Três reais por hora.

- Então, papai, o senhor poderia me emprestar um real?

O pai, cheio de ira e tratando o filho com brutalidade, respondeu:

- Então era essa a razão de querer saber quanto eu ganho? Vá dormir e não me amole mais, menino aproveitador!

Já era noite quando o pai começou a pensar no que havia acontecido e sentiu-se culpado. Talvez, quem sabe, o filho precisasse comprar algo?

Querendo descarregar sua consciência doída, foi até o quarto do filho e m voz baixa, perguntou:

- Filho, você está dormindo?

- Não, papai – respondeu sonolento o menino.

- Olha, aqui está o dinheiro que você me pediu. Um real.

- Muito obrigado, papai! Disse o filho, levantando-se e retirando mais um punhado de moedas de um centavo de uma caixinha que estava sob a cama.

- Agora já completei, papai! Tenho três reais. Poderia me vender uma hora do seu tempo?

OLIVEIRA,P.D. A luz dissipa as trevas: estórias e fatos para ilustrar palestras e conversações. Vol II. Goiânia : Gráfica e Editora Paulo de Tarso, 2002. p25-26.


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