Perigos do “deixa comigo”
Barbeiragens em serviços corriqueiros, como troca de pastilhas ou de pneu, podem causar grandes rombos no bolso.
A máxima de que o barato sai caro pode ser levado às últimas conseqüências quando
o assunto é seu carro. Muitas vezes pequenos reparos ou serviços de manutenção causam grandes dores de cabeça. O problema se esconde no posto de gasolina, no lava-rápido, na oficina e até no borracheiro. Na era da eletrônica embarcada, em que mais de 800 metros de fios e cabos percorrem o interior de um automóvel, uma troca de rodas ou freios pode comprometer sistemas complexos.
Foi o que aconteceu com Ricardo. Ele mandou trocar as pastilhas do seu VW Passat alemão. Um mecânico topou fazer o trabalho por R$= 200,00, mas Ricardo quis economizar e achou alguém que cobraria R$= 20,00.
“O mecânico fez uma alavanca na pinça, forçando para trás, como em um popular. Só
que ele não se lembrou de que a pinça do freio do Passat é eletrônica e danificou o sistema. O carro ficou sem freio”, diz o mecânico José Carlos, que diagnosticou o problema. Pelas duas pinças, o dono do Passat desembolsou R$= 12000,00. O correto teria sido colocar o veículo em um equipamento de diagnóstico eletrônico, em que o pistão do freio se afasta de forma automática para que a operação seja realizada.
Risco no posto
“O cliente precisa ter cuidado e verificar se o mecânico está preparado ou não para lidar com sistemas eletrônicos”, diz José Carlos. Ele conta que o caso do dono do Passat não foi o único. Problema semelhante no freio provocou o rombo de R$= 8000,00 no bolso do dono de um Jeep Cherokee.
Pequenos cuidados de profissionais despreparados são a chave desse tipo de dor de
cabeça. E não são apenas mecânicos. Tudo pode começar no posto de combustível com a famosa frase: “Pode olhar água e óleo, patrão?” A má vedação de uma tampa do radiador pode fazer o líquido de arrefecimento escapar, provocando superaquecimento do motor. A falta de cuidado ao trocar o óleo, sem apertar direito o filtro, pode fazer com que ele escorra. O resultado é nefasto: o motor simplesmente funde e tem de ser refeito. Não são raros os casos em que o frentista enche de água o reservatório do fluido da direção hidráulica.
Mas não é só o motor, câmbio ou freios que são vítimas dessas barbeiragens. “Ás vezes, o perigo está simplesmente na hora de balancear o carro. O reparador apóia uma roda no chão e faz a outra girar. O câmbio automático pode ir embora na mesma hora. Ou seja, o serviço que custaria R$= 70,00 acaba saindo por uns R$= 5000,00, diz o mecânico Vinicius”.
A combinação entre carro novo e mecânico desatualizado é nitroglicerina pura. A trivial sangria no freio hoje em dia não pode ser feita por bombeamento. Nos modelos modernos, é preciso de um equipamento específico para sugar o fluido. Senão forma-se uma borra no circuito hidráulico e, de uma hora para outra o veículo perde a capacidade de frenagem.
Solução autorizada
“Nos Mercedes-Benz fabricados desde 2000 não há como afastar a pastilha. É preciso
usar equipamento eletrônico, que faz esse serviço. Mecânicos que não conhecem os procedimentos simples fazem uma carnificina no carro”, diz Vinícius. Ele lembra, no entanto, que há outro lado dessa moeda, que são os mecânicos careiros, que querem cobrar demais por um serviço que não vale.
O prejuízo também se esconde num prosaico lava-rápido. O eletricista Wilson já recebeu vários carros com falhas no motor por problemas na lavagem. “Em geral o que acontece é molhar o cabo de vela ao lavar o motor. Para consertar, ele gasta uns R$= 150,00.” E pensar que a lavagem custou R$= 15,00...
Um local onde o risco está sempre espreita á a borracharia. Basta alguém menos experiente colocar o macaco sob algum ponto indevido para uma simples troca de pneus virar um problemão. Ele pode entortar o eixo, caso apóie o macaco nos componentes da suspensão. Se isso acontecer em um sedã médio novo, o conserto custa, em média, R$=
300,00.
Dependendo do modelo e do erro, um macaco mal apoiado pode provocar a perda total do veículo. “Se entortar a suspensão de um hatch compacto, você nunca mais acerta o carro”, afirma José Carlos. “O problema pode ser percebido só depois, quando for tarde demais”, afirma o mecânico Hailton, que já pegou um Alfa Romeo com a suspensão danificada por um borracheiro incauto.
Perez, L. Revista Quatro Rodas, Ed. Abril, edição 581, p.138-139, ago. 2008.
O re-tratamento ortodôntico
O mesmo cuidado da reportagem acima vale para o tratamento e re-tratamento ortodôntico.
Em geral, o re-tratamento é mais difícil e oneroso de ser realizado. Exames complementares (radiografias cefalométrica - da cabeça e de perfil - modelos de estudo em gesso, fotografias) são necessários para se diagnosticar e elaborar as possíveis opções de plano de re-tratamento ortodôntico.
O re-tratamento ortodôntico geralmente é mais complicado de se realizar. Vários fatores contribuem para esta dificuldade no re-tratamento e podem ser assim enumerados:
1) presença de pouco ou nenhum espaço para a movimentação dentária, mesmo com extrações de dentes realizadas no tratamento inicial;
2) o paciente ficará ansioso para o término do “novo” tratamento;
3) a movimentação dentária poderá estar limitada pelas modificações que foram realizadas na oclusão, gengiva e raiz durante o primeiro tratamento;
4) o paciente não será tão colaborador como foi no primeiro tratamento, pois ele estará cansado de usar aparelho;
5) perda parcial ou total de ancoragem. Isto é, poderá ter ocorrido a migração indesejável dos dentes para o espaço das extrações dentárias impossibilitando o correto alinhamento, nivelamento e intercuspidação (encaixe) entre os dentes superiores e inferiores.
Para se obter sucesso com o re-tratamento é fundamental a delimitação e compreensão de prós e contras, as limitações dos resultados a serem alcançados, o tempo previsto, a colaboração e a estabilidade que o paciente precisará estar ciente antes de reiniciar o tratamento ortodôntico.
Como na reportagem acima, a máxima de que o barato sai caro pode ser levado às últimas conseqüências quando o assunto é seu tratamento ortodôntico.
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Respeitoso abraço.